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Justiça de NY aceita pedido da Americanas para estender aos EUA efeitos da recuperação judicial

27, janeiro 2023
Empresa quer proteger ativos nos EUA após pedido de recuperação judicial já feito no Brasil. Um juiz de Nova York deferiu nesta quinta-feira (26) o pedido da Americanas para proteção contra credores, segundo um documento ao qual a Reuters teve acesso.
A Americanas pediu na quinta-feira uma extensão dos efeitos de proteção assegurados em seu processo de recuperação judicial no Brasil, em um processo conhecido como “Chapter 15”.
“A medida solicitada é necessária e adequada para realizar a administração eficiente dos processos do ‘Chapter 15’ e as disposições do Código de Falências”, afirmou no despacho o juiz Michael E. Wiles, do Tribunal de Falências do Distrito Sul de Nova York.
Com o pedido, a empresa pretende, principalmente, a suspensão dos pagamentos aos credores naquele país.
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Tudo sobre a crise na Americanas
Em 19 de janeiro, a gigante do varejo brasileiro entrou com um pedido de recuperação judicial na 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. A requisição, feita em caráter de urgência, serve para manter a solvência da empresa apenas oito dias depois da descoberta de um rombo contábil de R$ 20 bilhões em seus balanços corporativos.
Na mesma data, a companhia comunicou que mantém apenas R$ 800 milhões em caixa, o que torna a operação insustentável. A título de comparação, o valor é significativamente menor do que os R$ 8,6 bilhões reportados no terceiro trimestre de 2022.
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Crise
A ‘crise’ nas Americanas começou no dia 11 de janeiro, quando a empresa divulgou um fato relevante informando que havia identificado “inconsistências em lançamentos contábeis” nos balanços corporativos, em um valor que chegaria a R$ 20 bilhões.
Em outras palavras, a Americanas percebeu que o valor bilionário — que é referente aos primeiros nove meses de 2022 e anos anteriores — não havia sido registrado de forma apropriada.
Além disso, o texto informou que o presidente da companhia, Sergio Rial, deixou o cargo apenas 9 dias depois de assumir. O diretor financeiro da empresa, André Covre, também renunciou — ele havia tomado posse junto a Rial.
Credores
Nesta quarta-feira a Americanas entregou à Justiça sua lista de credores, com débitos totais de R$ 41.235.899.286,62, e 7.967 nomes. Entre os que têm valores a receber, estão bancos, fabricantes de brinquedos, editoras de livros e até a auditora dos balanços da própria empresa.

Fonte: G1