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IBGE luta contra tempo para finalizar Censo; SP é estado com maior taxa de recusa 

2, fevereiro 2023

Até 31 de janeiro, 185.827.709 de pessoas haviam sido recenseadas em 65.657.749 domicílios no país. Isso representa cerca de 89,45% da população total, de acordo com o resultado prévio do Censo (207,8 milhões de pessoas). Com Censo atrasado, IBGE estimou população brasileira em 207 milhões, mas técnicos do próprio instituto criticam a metodologia utilizada. Devido à população menor, 702 municípios esperam perder R$ 3 bilhões em repasses da União e prometem ir à Justiça
Helena Pontes/Agência IBGE de Notícias
Após seis meses de operação censitária, a recusa para responder ao questionário é o maior desafio para conclusão do Censo 2022. É o que afirmou, nesta quinta-feira (2), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ao divulgar o último balanço da pesquisa.
Segundo o IBGE, a taxa média de recusa chega a 2,43% no país, mas aumenta consideravelmente maior em localidades onde há maior concentração populacional.
Em São Paulo, que lidera o ranking entre os estados, a taxa de recusa é de 4,49%, número que, segundo o IBGE, corresponde a cerca de 720 mil domicílios em que o morador se recusou a responder o questionário apresentado pelo recenseador.
Ranking por UF por taxa de recusa ao Censo 2022
IBGE
Recusa mais alta em bairros de maior renda
De acordo com o coordenador técnico do Censo, Luciano Duarte, em bairros com população de maior renda os recenseadores enfrentam, muitas vezes, além da recusa direta dos moradores, dificuldades impostas pelo condomínio.
“Para o recenseador conseguir abordar um apartamento, é preciso passar por uma portaria ou ter autorização do síndico, do porteiro ou da administração do prédio. Uma situação que ocorre em áreas mais nobres, como a Zona Sul do Rio ou alguns bairros de classe alta em São Paulo e de outros estados, é o impedimento da entrada dos recenseadores”, disse Duarte.
Para reverter essa situação, os técnicos do IBGE elaboraram um protocolo que deve ser seguido pelo recenseador e pela coordenação local.
“Há um modelo de ofício a ser entregue aos síndicos ou à representação dos condomínios. Quando esse documento não tem efeito prático, o recenseador é instruído a recorrer à polícia local. Essa é a recomendação porque, por lei, ninguém pode impedir uma unidade habitacional de responder ao Censo. Há situações em que uma pessoa tenta impedir um condomínio inteiro de participar do Censo”, enfatizou.
No Rio de Janeiro, terceiro estado com maior taxa de recusa (3,21%), as equipes do Censo também se esforçam para reverter o nível alto de rejeição.
“A principal estratégia é a preparação do servidor no momento da abordagem. Isso depende muito de como a pessoa conversa com o informante, como explica a pesquisa”, ressalta o superintendente do IBGE no Rio de Janeiro, José Francisco Teixeira Carvalho.
Ele explica que, em situações de recusa, o supervisor vai ao local para verificar a situação. “Se ele não conseguir fazer a entrevista, enviamos uma primeira carta explicativa sobre a importância de responder ao Censo, com o contato do recenseador para que o informante possa ligar para ele e, também, com a identificação, permitindo que ele confira no 0800 ou pelo site do IBGE”, explicou.
Ele atribui o alto número de recusas entre a população fluminense – cerca de 194 mil domicílios no estado – ao contingente populacional e ao medo da violência.
“O Rio de Janeiro é o terceiro maior estado em população e a capital é a segunda mais populosa do país, então há maiores taxas de recusas. Isso tem a ver também com a insegurança, porque os informantes ficam preocupados em abrir a porta de casa para pessoas, em atender aos telefonemas. Essa alta taxa de recusas não tem acontecido só na capital, mas também na Baixada Fluminense e em cidades da região metropolitana como Niterói e São Gonçalo”, avaliou.
Em São Paulo, a recusa não está centralizada só na capital, mas foi espalhada por vários munícipios do estado. Um dos destaques é Várzea Paulista, que tem a maior taxa de recusa entre os municípios do país (19,6%). Na capital, o distrito da Consolação também se destaca no percentual de moradores que se recusam a receber o recenseador (33,7%).
Balanço da população recenseada
Desde o início da operação, em 1º de agosto, até o dia 31 de janeiro, foram recenseadas 185.827.709 pessoas, em 65.657.749 domicílios no país. Isso representa cerca de 89,45% da população do país, de acordo com o resultado prévio (207,8 milhões de pessoas).
Já em relação ao número estimado, de 213,3 milhões, esse contingente de recenseados corresponde a 87,11%.
Balanço do Censo 2022, por UF
IBGE
Segundo o IBGE, “a cobertura completa dos setores censitários foi praticamente toda concluída em janeiro de 2023”. Todavia, em fevereiro e março será mantido o “processo de revisão, controle de qualidade e apuração do Censo, com tentativas de reversão de recusas, revisitas a domicílios com morador ausente para realização de entrevistas, além de verificação de domicílios vagos, de uso ocasional, possíveis duplicidades e omissões e preparação para divulgação”.
Assim, a previsão do IBGE é que somente em abril, dez meses após início da coleta, sejam divulgados os resultados definitivos do Censo 2022.

Fonte: G1