Shopping de Campo Grande entra com ação de despejo contra loja da Marisa por dívida de quase R$ 200 mil
Rede de lojas de roupa está em plano de recuperação da geração de caixa e rentabilidade. Em anúncio, Marisa disse que vai fechar 91 lojas. Não se sabe se a filial em Campo Grande está na lista.
O Shopping Campo Grande entrou com ação judicial para despejo da loja da Marisa na capital por não pagamentos de aluguéis, condomínio e multas entre janeiro e abril deste ano. O valor do débito é de quase R$ 200 mil, de acordo com processo que tramita na Justiça de Mato Grosso do Sul.
Em âmbito nacional, a rede de varejo Marisa anunciou recentemente que deve fechar 91 lojas até junho deste ano, em um movimento para tentar recuperar sua capacidade de gerar caixa — ou seja, voltar a ter recursos disponíveis para investimentos e para sua operação — e para voltar a ser rentável.
Em Campo Grande, a ação de despejo aponta que o shopping e a Marisa firmaram contrato em 2006. O pedido enviado à Justiça de Mato Grosso do Sul, no começo deste mês, consta débitos em aluguéis, água, energia elétrica, cotas e fundos de reserva.
De acordo com a ação do Shopping Campo Grande, a Marisa tem 10 diferentes tipos de débito com o consórcio, totalizando R$ 178.022,03. À causa, os advogados do shopping dão o valor de R$ 869.917,20, incluindo multas, débitos e pagamentos dos honorários.
A última movimentação no processo foi feita há uma semana, quando a juíza Sueli Garcia deu 15 dias para que a Marisa entrasse com recurso ou defesa das alegações apontadas pelo Shopping Campo Grande. A loja de roupas tem até o fim deste mês para se pronunciar em juízo.
O g1 entrou em contato com as assessorias de imprensa do shopping e da Marisa. Até a última atualização desta matéria, ambos não responderam aos questionamentos feitos.
Crise nacional
A Marisa anunciou que vai fechar 91 lojas como parte de um plano de recuperação da geração de caixa e rentabilidade da empresa. Segundo a administração, as unidades são consideradas deficitárias.
A Marisa também afirma que renegociou dívidas com 90% dos fornecedores e 65% dos proprietários de imóveis. A varejista tem dívida líquida na casa dos R$ 461 milhões, segundo o balanço do 1º trimestre.
Entre os fatores elencados pela empresa para as medidas de recuperação estão o cenário macroeconômico adverso, as importações ilegais sem a devida tributação e as elevadas taxas de juros.
Só nos últimos cinco meses, por exemplo, a Lojas Marisa enfrentou a renúncia de cinco executivos da alta cúpula da empresa, contratou assessores externos e anunciou emissões de debêntures (títulos de dívida) e a venda de direitos creditórios (direitos aos créditos que a companhia tem a receber).
Além disso, a empresa ainda manteve esforços para renegociar prazos e dívidas com fornecedores, credores e proprietários de imóveis, reduzir seus investimentos em estoques de produtos e cortar suas despesas operacionais.
Fonte: G1