Maio Amarelo- Fórum de Segurança Rodoviária promove o resgate de histórias e grandes legados na Formação do Trânsito
Grandes eventos técnicos e científicos são conhecidos por debater o futuro de setores inteiros. No entanto, nos bastidores do 3º Fórum Centro-Oeste de Segurança Rodoviária, que reúne autoridades e especialistas para discutir os caminhos e a segurança da Rota Bioceânica, o evento também se tornou o cenário de um reencontro emocionante que reflete o impacto de décadas de dedicação ao ensino viário.
Mais de trinta anos após o primeiro contato em sala de aula, o engenheiro Benedito Luiz de França e o diretor-presidente do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MS), Rudel Espíndola Trindade Junior, voltaram a se encontrar. A história de ambos se confunde com a própria evolução da engenharia de tráfego e da infraestrutura de transportes no Brasil.
De Estagiário a Analista do DNIT
A jornada de Benedito na área de trânsito começou em 1993, quando ingressou como estagiário no antigo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER). Anos mais tarde, em 2006, consolidou sua carreira ao passar no primeiro concurso público do órgão que sucedeu a autarquia, tornando-se analista em infraestrutura de transportes do atual Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), na Superintendência Regional do Estado do Pará.
Foi durante sua busca por especialização que seus caminhos cruzaram com os de Rudel Trindade Júnior. Benedito foi aluno do atual diretor do Detran-MS em um curso de pós-graduação multidisciplinar de trânsito. O programa, coordenado à época pelo professor Renier Rozestraten — uma das maiores autoridades de psicologia do trânsito do Brasil—, contava com disciplinas de direito, estatística, medicina e engenharia de tráfego, esta última ministrada pelo então professor Rudel. “Foi uma grande honra. Foi um mega curso de pós-graduação inovador no Brasil inteiro, que teve origem em Belém do Pará, na Universidade Federal do Pará. A disciplina de engenharia de trânsito foi muito bem ministrada pelo Doutor Rudel, por ser um profissional extremamente capacitado e um técnico da área. É uma grande satisfação poder revê-lo e é sempre bom estar ao lado dos mestres”, relembrou Benedito.

Legado de décadas na academia
Para Rudel Trindade Júnior, que possui formação acadêmica com mestrado e doutorado voltados à Engenharia de Transportes, a docência na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul sempre foi uma paixão que caminhou lado a lado com sua atuação técnica na gestão pública. Ao todo, foram 30 anos lecionando disciplinas como engenharia de tráfego e planejamento de transportes.
Ao rever Benedito no pavilhão do Centro de Convenções Arquiteto Rubens Gil de Camillo, Rudel não escondeu o orgulho de ver o fruto de suas três décadas de sala de aula espalhado pelas principais instituições do país.
“Eu fui professor da área de transportes durante 30 anos. Então, eu tenho muita gente aí, alguns alunos espalhados por esse tempo todo. E o Benedito é um deles. É uma satisfação você estar em um evento importante, um evento técnico, e encontrar alunos seus”, destacou Rudel.
O diretor-presidente do Detran-MS brincou ainda sobre a complexidade de se manter em sala de aula, lembrando que os alunos sempre desafiam o professor a estar na vanguarda do conhecimento técnico. “Dar aula é muito penoso porque você tem que estar extremamente atualizado. Mas é muito satisfatório encontrar essas pessoas. Tenho alunos na Polícia Federal, como o superintendente Bueno, na AGEPAN, e em várias empresas de engenharia. Isso é muito recompensador.”
Visão de Especialista
Com a bagagem de mais de 30 anos dedicados à segurança viária, Benedito aproveitou a participação no Fórum em Campo Grande para elogiar o panorama local, destacando que o Mato Grosso do Sul é o único estado do país com 100% dos municípios municipalizados no trânsito. O analista em infraestrutura apontou os caminhos científicos que defende para o futuro das estradas, especialmente no contexto desafiador de fluxo pesado da Rota Bioceânica.
Benedito detalhou o conceito de ” rodovias que perdoam”, uma abordagem de engenharia voltada para mitigar a falha humana. “O erro humano sempre vai existir. Por melhor que seja o motorista ou o cidadão, nós somos falíveis. Só que, ao cometer uma falha, nós precisamos ter uma rodovia com dispositivos de segurança e projetos apropriados para absorver esse erro”, explicou Benedito.
Como exemplo prático aplicável a pontos críticos de colisões frontais e ultrapassagens proibidas em pistas simples, ele sugere a substituição da tradicional pintura amarela contínua por barreiras físicas centrais, como *guard-rails*, balizadores de borracha ou tachões refletivos. “Por mais que o infrator queira fazer a ultrapassagem proibida, ele não vai conseguir devido a esse obstáculo físico. Nós resolvemos um problema crítico através da intervenção da engenharia, pois o intuito final é sempre proteger a vida humana”, explicou Benedito.
O reencontro entre mestre e aprendiz aconteceu no o 3º Fórum Centro-Oeste de Segurança Viária, que acontece entre está segunda e terça-feira em Campo Grande.
Emmanuelly Castro, Comunicação Detran-MS
Fotos: Rachid Waqued
Fonte: Detran MS
