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Eleições 2026: Com mais de 70 anos, professoras aposentadas fazem questão de votar

4, outubro 2026
Eleições 2026 Com mais de 70 anos, professoras aposentadas fazem questão de votar

Em Mato Grosso do Sul, o voto é faculativo para 375 mil eleitores, 18% do eleitorado estadual

Com 72 anos, Ires Duarte Vigilato vai viajar cerca de cem quilômetros para exercer o direito ao voto no próximo domingo

As professoras aposentadas Ires Duarte Vigilato, de 72 anos, e Aparecida Celeste, de 73, estão prontas para a aula do próximo domingo. O conteúdo do dia será cidadania e a atividade prática, o exercício do voto. As duas já não são mais obrigadas a votar, mas fazem questão de exercer esse direito, o que intensifica a dimensão de liberdade e de consciência de suas escolhas.

Arte: Osvaldo Júnior

Ires e Aparecida estão entre as pessoas que podem votar, mas que não são obrigadas a fazê-lo. Conforme a Constituição Federal, o voto é facultativo a quem tem mais de 70 anos, a maiores de 16 e menores de 18, e a analfabetos. Em Mato Grosso do Sul, esses grupos somam 375.696 eleitores, o equivalente a 18,55% do eleitorado do estado (2,024 milhões), conforme dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MS).

A maior parte desse universo é formada por pessoas com 70 anos ou mais. Um em cada dez eleitores sul-mato-grossenses está nessa faixa de idade. São 202.096 pessoas, quase dez vezes a mais que os 22.984 adolescentes com 16 e 17 anos. Quanto aos analfabetos, são 63.816 em Mato Grosso do Sul, 3,15% do total de eleitores.

À véspera da eleição, a professora Ires pegará a estrada e viajará cerca de 100 quilômetros para chegar, com tempo e tranquilidade, a seu domicílio eleitoral, o município de Ribas do Rio Pardo. “Vou no sábado para não perder a oportunidade. No outro dia, acordo cedo e, quando abrirem as urnas, já estarei lá para votar”, conta. E dá um spoiler do seu roteiro de domingo: “Vou ficar faceira, porque já votei, e aí vou aproveitar para rever os meus amigos. Tenho umas amigas que andam de muleta, outras de andador, mas assim mesmo vou tentar convencê-las a irem votar”.

Para Ires, a experiência e a opinião dos idosos precisam ser consideradas. “Parece que muitas pessoas vão deixando o idoso de lado, mas eles também têm uma contribuição muito grande para fazer”, afirma. E acrescenta: “A gente tem que participar. Se a pessoa não participa, não tem o direito de cobrar… O idoso, que está bem em suas faculdades mentais, deve participar das eleições. Isso é muito importante”.

 Um instrumento forte da democracia

Aparecida Celeste: “O direito do voto é uma conquista”
(Foto: Glaucia Jandre)

“Votar é um direito de toda pessoa, é um exercício de cidadania e eu gosto de votar. Eu quero votar, porque é um direito que eu tenho”, resume Aparecida Celeste. Ela percebe no exercício democrático do voto a sua dimensão histórica e de gênero. “O direito do voto é uma conquista, principalmente das mulheres, que só puderam votar muito tempo depois dos homens”, lembra a professora.

Na visão de Aparecida, abrir mão dessa prerrogativa apenas porque a legislação deixou de exigi-la seria desvalorizar uma das vitórias mais importantes da democracia. “Eu quero votar, ainda que eu não precise mais. É um instrumento muito forte de democracia. E se nós não tomarmos cuidado, vai chegar uma hora em que não poderemos mais escolher”, afirma Aparecida em defesa do regime democrático e da soberania popular manifestada no voto.

Outra geração, a mesma consciência

Avó e neta: consciência que atravessa gerações
(Foto: Glaucia Jandre)

A consciência de cidadania atravessa gerações – assim como Aparecida, a sua neta, Cecília Mascarenhas, 17 anos, também faz questão de ir às urnas, mesmo não sendo obrigada. No domingo, a acadêmica de Nutrição fará algo inédito em sua vida: votar. “Eu me sinto muito feliz em votar pela primeira vez, em exercer esse direito democrático e fazer parte desse processo no meu estado e no meu país”, declara. “Com voto, posso dizer o que desejo para minha nação, para minha vida e das outras pessoas, para os brasileiros, pelos próximos anos”, acrescenta.

Além de enfatizar a importância de se posicionar, a jovem também destaca as expectativas quanto aos futuros eleitos. “Espero dos candidatos honestidade, que exerçam seu papel”, diz, acrescentando que aqueles que conquistarem algum cargo eletivo justifiquem a escolha feita pelo povo.

Para Cecília, os políticos eleitos têm o dever de avançar na qualidade de vida de todos. “Deverão melhorar a saúde, a educação, a infraestrutura, a vida urbana, a segurança, para que possamos progredir sempre como uma nação melhor, com IDH melhor, buscando justiça para a sociedade como um todo”, defende.  “Por isso, fico muito honrada de poder votar, de exercer esse papel na minha sociedade e na democracia”, finaliza.

Livro infantil

Essa consciência da importância do voto e da democracia pode ser construída desde a infância. Entre as publicações que podem ajudar nesse processo, está o livro infantil “Democracia Pantaneira: A história da eleição da bicharada”, produzido pela Gerência de Site e Mídias Sociais, integrante da Secretaria de Comunicação Institucional da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS).

Escrito pela jornalista Glaucia Jandre e ilustrado por Luciana Kawassaki, o livro conta a história da escolha de um representante da bicharada após o grande incêndio de 2020, que destruiu grande parte da vegetação e matou muitos animais.

A publicação faz parte da coleção “Cidadania é o Bicho”, que trata, em linguagem infantil, de temas ligados aos direitos humanos, meio ambiente, enfrentamento da violência, entre outros assuntos. Os personagens são sempre animais da fauna pantaneira.

Para acessar o livro “Democracia Pantaneira”, clique na imagem. E para conhecer toda a coleção, clique aqui.

Por: Osvaldo Júnior

Foto: Luciana Nassar

Fonte: Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul