Nacional

Putin diz que Rússia está redirecionando comércio e petróleo para países dos Brics


Para resistir às sanções, país está tentando estreitar os laços com a Ásia, buscando substituir os mercados que perdeu no atrito com a União Europeia e os Estados Unidos. Presidente da Rússia, Vladimir Putin, em imagem de arquivo
Sputnik/Mikhail Metzel/Pool via REUTERS
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse nesta quarta-feira (22) que o país está no processo de redirecionar seu comércio e suas exportações de petróleo para países do grupo dos Brics de economias emergentes, na esteira de sanções ocidentais devido à guerra na Ucrânia.
Os Brics reúnem Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
O Ocidente impôs sanções abrangentes à Rússia, incluindo restrições às importações de seu petróleo, depois que o Kremlin enviou tropas para a Ucrânia em 24 de fevereiro.
Sanções econômicas funcionam? O que a história diz sobre o sucesso dessas medidas
Brasileiros contam como têm 'driblado' os impactos das sanções à Rússia
Sanções à Rússia: como fica o comércio com o Brasil?
Para resistir às sanções, a Rússia está tentando estreitar os laços com a Ásia, buscando substituir os mercados que perdeu no atrito com a União Europeia e os Estados Unidos.
Em discurso em vídeo para participantes do Fórum Empresarial dos Brics, Putin disse que a Rússia está discutindo o aumento da presença de carros chineses no mercado russo, bem como a abertura de cadeias de supermercados indianos. "Por sua vez, a presença da Rússia nos países do Brics está crescendo. Houve um aumento notável nas exportações de petróleo russo para China e Índia", disse Putin.
Ele também disse que a Rússia está desenvolvendo mecanismos alternativos para operações financeiras internacionais em conjunto com seus parceiros dos Brics.
"O Sistema Russo de Mensagens Financeiras está aberto para conexão com os bancos dos países dos Brics. O sistema russo de pagamentos MIR está expandindo sua presença. Estamos explorando a possibilidade de criar uma moeda de reserva internacional baseada na cesta de moedas dos Brics", afirmou Putin.
Tensão entre Rússia e Otan aumenta como consequência das sanções feitas à Moscou
Importações de petróleo russo pela China atingem recorde
As importações chinesas de petróleo bruto da Rússia subiram 55% em maio na comparação anual, atingindo nível recorde e tirando a Arábia Saudita da posição de principal fornecedor da China, uma vez que as refinarias lucraram com óleo com descontos em meio às sanções a Moscou por sua invasão da Ucrânia.
As importações de petróleo russo totalizaram quase 8,42 milhões de toneladas, incluindo suprimentos bombeados pelo oleoduto do Oceano Pacífico da Sibéria Oriental e embarques marítimos dos portos russos da Europa e do Extremo Oriente, mostraram dados da Administração Geral de Alfândegas da China divulgados nesta semana.
Com o resultado, a Rússia recuperou o topo do ranking de fornecedores para o maior importador de petróleo do mundo após um intervalo de 19 meses, e indicam que Moscou é capaz de encontrar compradores para seu petróleo apesar das sanções ocidentais, embora tenha tido que reduzir os preços.
A Arábia Saudita foi o segundo maior fornecedor, com os volumes de maio subindo 9% no ano, para 7,82 milhões de toneladas, ou 1,84 milhão de bpd. Isso ficou abaixo dos 2,17 milhões de bpd de abril.
As importações do Brasil caíram 19% em relação ao ano anterior, para 2,2 milhões de toneladas, uma vez que os fornecimentos brasileiros enfrentaram concorrência com carga mais barata do Irã e da Rússia.

Fonte: G1