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Crescimento global deve desacelerar até 2023 e colocar emergentes em maior risco, diz Banco Mundial


Brasil terá crescimento ainda mais tímido com dificuldades domésticas e redução de demanda da China. Entidade aponta as variantes da Covid-19, a inflação global, o endividamento de países em desenvolvimento e a desigualdade de renda como principais fatores de preocupação. David Malpass, presidente do Banco Mundial
Reuters
O Banco Mundial renovou as projeções de crescimento global, prevendo uma desaceleração maior das economias nos próximos anos. O órgão espera uma alta de 5,5% em 2021, de 4,1% em 2022 e de 3,2% em 2023.
Os números estão descritos no último relatório Perspectivas Econômicas Globais, publicado nesta terça-feira (11). Entre os motivos da piora de expectativa, o Banco Mundial cita a disseminação de variantes da Covid-19, a inflação global, o endividamento de economias em desenvolvimento e o aumento da desigualdade de renda.
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Para o Brasil, as projeções são ainda mais tímidas: alta de 4,9% em 2021, de 1,4% em 2022, e de 2,7% em 2023. Para a região da América Latina e Caribe estão previstas altas de 6,7%, 2,6% e 2,7%, respectivamente.
“A economia brasileira deve desacelerar para 1,4% em 2022 — graças ao fraco sentimento dos investidores, à erosão do poder de compra em decorrência da alta inflação, às restrições da política macroeconômica, à redução da demanda pela China, e à queda nos preços do minério de ferro — antes de alcançar 2,7% em 2023”, afirma o relatório.
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A entidade diz que o “rápido avanço da variante ômicron” do coronavírus indica que a pandemia deve continuar afetando a atividade econômica global no médio prazo. Soma-se a isso o fim de estímulos monetários em economias desenvolvidas, que devem frear o avanço de países como Estados Unidos e China, além dos europeus.
Para as economias em desenvolvimento, essa redução de demanda aliada ao esgotamento das medidas de apoio, por conta do alto endividamento, pode causar crises sérias de crescimento econômico.
“A economia mundial está enfrentando simultaneamente a Covid-19, a inflação e as incertezas políticas, com gastos públicos e políticas monetárias em território ainda desconhecido”, diz em nota David Malpass, presidente do Grupo Banco Mundial.
“O aumento da desigualdade e os desafios relacionados à segurança são especialmente prejudiciais para os países em desenvolvimento. Colocar mais países em um caminho de crescimento favorável requer ações internacionais coordenadas e um conjunto abrangente de políticas nacionais como resposta”, prossegue.
O efeito mais marcante desse cenário é que todas as economias avançadas terão alcançado a esperada recuperação dos resultados pré-pandemia até o ano que vem, enquanto emergentes e economias em desenvolvimento continuarão 4% abaixo do que se observava até a chegada do coronavírus.
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“Para muitas economias vulneráveis, a adversidade é ainda maior: os resultados dos países frágeis ou afetados por conflitos ficarão 7,5% abaixo da tendência pré-pandemia e os resultados de pequenos estados insulares devem ficar 8,5% abaixo dessa tendência”, destaca o Banco Mundial em nota.
Especialmente nas economias mais vulneráveis, a inflação global e endividamento em alta criam uma restrição às políticas de estímulo monetário antes que os países atinjam esse nível de crescimento pré-pandemia.
“Em tempos de dívida elevada, a cooperação global será essencial para auxiliar na expansão dos recursos financeiros das economias em desenvolvimento a fim de que possam alcançar um desenvolvimento verde, resiliente e inclusivo”, diz Mari Pangestu, Diretora-Executiva de Parcerias e Políticas de Desenvolvimento do Banco Mundial.
“As escolhas feitas pelos formuladores de políticas públicas nos próximos anos irão decidir o rumo da próxima década. A maior prioridade deve ser garantir a distribuição de vacinas de maneira mais ampla e igualitária para que a pandemia seja controlada”, afirma.
O relatório completo aborda ainda exemplos passados de como resolver o aumento da dívida das economias, as implicações dos ciclos de alta e queda dos preços das commodities para o mercado emergente e o impacto da Covid-19 sobre a desigualdade global.

Fonte: G1