Cirurgia Metabólica no tratamento do Diabetes Tipo 2: Estágio atual.

, por Dr. Wilson Cantero

O número alarmante de diabéticos, segundo a Federação Internacional de Diabetes (IDF), ultrapassaram os 400 milhões de adultos portadores dessa doença na atualidade, a maioria classificado dentro da chamada diabetes tipo 2 (DT2).

No Brasil, segundo o IDF, a população diabética adulta já atinge 8,1%, o país ocupa o 4º lugar em número de casos, ficando atrás apenas de China, Índia e Estados Unidos, respectivamente.

Segundo a OMS, a estimativa de diabetes até 2030 pode colocar a doença como a 7ª maior causa de óbitos no mundo.

Em linguagem simples, o diabetes ocorre quando as células de uma pessoa não conseguem usar adequadamente a glicose (açúcar) do sangue para produzir energia. Os números alarmantes têm elevado o nível de alerta da comunidade científica na busca de soluções efetivas no tratamento desta doença.

O diabetes é uma doença crônica, debilitante, insidiosa, com capacidade de desencadear vários tipos de complicações a médio e longo prazo, a quase totalidade dos órgãos e sistemas do corpo humano.

A DT2 é associada com disfunções metabólicas complexas, levando ao aumento da morbidade, mortalidade e aumento dos custos no seu tratamento.

Atualmente, observa-se que, apesar dos esforços da população alvo na mudança de intervenções no estilo de vida, pouco se tem avançado no controle efetivo da DT2 e da obesidade. É consenso de que as pessoas que desenvolvem essas doenças deveriam ter acesso a todas as opções de tratamento efetivas.

Nos últimos anos, a comunidade científica tem discutidos a utilização do tratamento cirúrgico como opção de controle ou mesmo remissão da DT2. Vários estudos publicados em revistas científicas de grande impacto demostraram que aqueles pacientes submetidos a cirurgia bariátrica, visando emagrecimento, também apresentaram remissão completa ou controle de DT2 associadas com a obesidade; taxas estas podendo chegar a 85%.

Diante desses resultados promissores, pesquisadores de vários países começaram a estudar a utilização da cirurgia bariátrica em pacientes portadores de DT2 com IMC (Índice de Massa Corpórea) entre 30 e 35 Kg/m2, ou seja, com sobrepeso ou obesidade grau 1, respectivamente.

O ápice dos estudos científicos foi agora coroado com a publicação da Diretriz Internacional que aponta a cirurgia metabólica como opção de tratamento para o diabetes tipo 2.

Essa Diretriz foi assinada por 45 entidades mundiais que estudam o diabetes, entre elas a SBCBM – Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, o documento foi publicado no último dia 24/05/2016 na Revista Diabetes Care.

Esse documento foi elaborado durante o 2º DSS – Diabetes Surgery Summit (DSSII), em Londres (2015), apontando a cirurgia Metabólica como mais uma opção a ser considerada no tratamento do DT2 para pacientes com IMC entre 30 e 35 Kg/m2.

O DSS II é o primeiro passo na construção de um longo caminho até que se possa ofertar a cirurgia como tratamento para o DT2. Esse caminho passa pela construção de critérios rígidos e específicos para a escolha do paciente que irá preencher todas as fases do protocolo.

Contínuas pesquisas de alta qualidade estão em andamento visando estudar os efeitos em longo prazo do procedimento cirúrgico, além da escolha do melhor momento (timing) em que o tratamento clínico será substituído pelo tratamento cirúrgico ou a associação de ambos o tratamento.

O conhecimento científico contínuo, persistente e de alta qualidade será o grande aliado para pacientes e cirurgiões metabólicos nos próximos anos.

O tratamento do diabetes através da cirurgia metabólica já é uma tendência em grandes centros no mundo. No Brasil, a SBCBM aguarda um posicionamento do CFM – Conselho Federal de Medicina em relação à aprovação da cirurgia para pacientes com IMC a partir de 30 Kg/m2.

Uma nova fronteira de esperança se abre para o tratamento dessa doença tão devastadora para a população brasileira.

 

Dr. Wilson Cantero – Médico Cirurgião do Aparelho Digestivo

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