Mato Grosso do Sul

Prefeito Marquinhos é contra promover Carnaval em Campo Grande

Pouco mais de 48 horas do governador Reinaldo Azambuja (PSDB) revelar que irá divulgar um pacote de recursos destinado às ligas, escolas de samba e blocos de Carnaval de Mato Grosso do Sul para a organização do Carnaval de 2022, o secretário estadual de Saúde, Geraldo Resende, afirmou que não aconselha a realização dos eventos, temendo aumento de casos de covid-19, enquanto a vacinação não avançar. A opinião é compartilhada pelo prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad (PSD).
Para Geraldo, apesar da pressão econômica em torno da festa popular, hoje não seria viável promover as festas. "Solicitei que pudéssemos fazer essa discussão dentro do comitê para que o governo tenha uma posição em relação a estes eventos. Enquanto secretário de Saúde, tenho uma visão técnica de que neste momento, a gente precisa se abster de ter carnavais. Logicamente, o governo tem pedidos de apoio por parte de prefeitos (para ter). No entanto, eu escuto da minha equipe, de alguns secretários municipais de Saúde, que ainda não é hora de se promover eventos que levem a grandes aglomerações", revelou.
Porém, o governador Reinaldo afirmou nesta semana que anunciará amanhã (27), um pacote de recursos para a organização do Carnaval do ano que vem. Ainda conforme Reinaldo, com o aumento da vacinação e a conscientização da população, será possível realizar a festa de rua popular.
"Se todos aqueles que ainda não se vacinaram forem se vacinar, com muita tranquilidade, a gente vai poder voltar a uma vida normal, inclusive, podendo ter a festa de rua no ano que vem", comentou o governador.
Já Infectologistas também concordam com a opinião de Resende, de não haver festa popular no Estado. Um deles é o Júlio Croda, infectologista e pesquisador da Fiocruz. Ele afirmou à reportagem que, apesar do avanço da imunização, não é possível promover eventos com essa estrutura de forma segura.
“Estamos perto do nível seguro do ponto de vista hospitalar, mas vêm aí as festas de fim de ano, o Carnaval, e vai ter mais transmissão. Se não quer cancelar, tem que avançar na vacinação ainda mais, principalmente em completar a terceira dose de reforço”, analisou o infectologista.
“Esses são eventos de massa e isso (de avançar na vacinação) deve ocorrer principalmente em Campo Grande. São Paulo que está com uma cobertura melhor está com várias cidades que já cancelaram. E sim, aqui devia seguir o mesmo”, complementou Croda.
No entanto, ele pondera que algumas cidades, como Corumbá onde a festa é tradicional e tem uma cobertura vacinal maior do que 80%, é possível pensar em realizar o evento. Ela é uma cidade mais isolada e eventualmente talvez esteja mais segura. Então, a cobertura de vacinação tem que ser maior porque o Carnaval não é um evento seguro”, disse.