Internacional

Da Amazônia a denúncias de assédio: a conturbada agenda do Nobel

No ano passado, a entrega do prêmio foi cancelada depois que um organizador do evento foi formalmente acusado de assédio sexual contra mulheres

A semana em que serão divulgados os vencedores do prestigiado prêmio Nobel também deverá ser uma tentativa de recuperar a credibilidade do evento. A partir desta segunda-feira 7, instituições suecas e norueguesas farão o anúncio dos próximos laureados nas áreas de medicina, química, física, literatura e paz. Em 2018, a entrega do prêmio de literatura foi cancelada depois que um organizador do evento foi formalmente acusado de assédio sexual contra mulheres. Por este motivo, neste ano dois autores levarão o Nobel na categoria.

A decisão de entregar o Nobel de literatura de 2018 junto ao deste ano foi anunciada pela Fundação Nobel em março. A medida tenta compensar o vácuo deixado no ano passado depois que membros da própria fundação e da Academia Sueca, ambas responsáveis pela premiação, foram acusados de assédio sexual. Cerca de 18 mulheres denunciaram terem sido vítimas de abuso sexual por parte do artista francês Jean-Claude Arnault, diretor de um fórum financiado pela Fundação Nobel. Algumas das denunciantes faziam parte da academia sueca.

Depois do escândalo, o Conselho de Administração da Fundação Nobel adotou algumas medidas para tentar restabelecer a confiança na instituição e no prêmio. Entre as alterações no estatuto, existe agora a possibilidade de que membros da academia possam renunciar. Até o ano passado, os cargos da instituição eram vitalícios e seus ocupantes não podiam abdicar.

Com as mudanças, membros que estavam sendo denunciados renunciaram e foram substituídos. Em nota, a Fundação disse que “cinco membros externos independentes, que acrescentam novas perspectivas valiosas, participarão do trabalho de escolha dos ganhadores do prêmio Nobel. O novo comitê apresentará sua própria proposta conjunta aos prêmios Nobel”.

Criado pelo cientista Sueco Alfred Nobel, o prêmio Nobel existe desde 1901 e visa reconhecer anualmente os maiores destaques em medicina, química, física, literatura e paz. Em 1968, foi criado também o Prêmio de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel. Em mais de um século desde sua criação, o prêmio já deixou de ser entregue por motivos como a primeira e segunda guerra mundial, mas nunca havia sido cancelado por denúncias de assédio. A missão dos organizadores, agora, é restabelecer a confiança com o público e com os premiados.

A pauta deste ano pode ter ainda uma surpresa referente ao Brasil. O país, ainda sem Nobel, tem no cacique Raoni, 88 anos, um defensor da Amazônia, um dos cotados por especialistas para o Nobel da Paz. A falta de apoio do governo brasileiro seria um problema para Raoni, mas na agenda ambiental a oposição pode virar um trunfo.

Fonte: Exame