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Os 7 fatos mais bizarros sobre as bolsas de valores

O mercado de ações existe há séculos e a história mostra que não basta ser gênio para prever quando a próxima bolha vai estourar

A origem das bolsas de valores é remota e incerta, sendo que suas primeiras atividades se resumiam a compra e venda de moedas, letras de câmbio e metais preciosos. O mercado acionário só foi começar mesmo nos primeiros anos do século XVII, quando a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais passou a ter seus papeis negociados na Bolsa de Amsterdã. A empresa contava com o monopólio do comércio com a Ásia e tinha o poder de fazer guerras e fundar colônias. Suas ações renderam dividendos anuais de 18% até ser dissolvida cerca de 200 anos depois.

Desde então, muita gente ganhou e perdeu dinheiro negociando ações. A história mostrou que até gênios podem cair em bolhas financeiras, como Isaac Newton, que perdeu fortunas. Mesmo assim, a notável importância das bolsas no financiamento de novas empreitadas as popularizaram e hoje elas estão espalhadas pelo mundo.

Cada uma tem sua peculiaridade. Reflexo de parte da sociedade, as bolsas reagem a efeitos locais. Algumas ficam fechadas às sextas e abertas aos domingos por motivos religiosos. Em outra, o resultado de uma partida de críquete pode fazer cair o principal índice acionário do país. Confira as 7 curiosidades mais inusitadas sobre as bolsas de valores:

1. É possível ser trader todos os dias

O mercado (quase) não para. Não importa se é domingo, Natal ou Ano Novo. Em algum lugar do mundo vai ser dia de pregão. Mesmo que a maior parte das bolsas globais fique fechada aos fins de semana, em países de maioria muçulmana ou judaica as bolsas costumam operar nesses dias, já que consideram a sexta e o sábado sagrados. A prática é mais comum no Oriente Médio, onde essas religiões são mais presentes. Por lá, a maioria das bolsas operam de domingo a quinta-feira. A exceção éa bolsa de Teerã, que fica fechada de quinta e sexta-feira.

2. Pregão curto e com pausa para o lanche

A China é conhecida por permitir jornadas de trabalho extensas e extenuantes. Bem diferente é o ritmo de suas bolsas de Xangai e Shenzen. Lá, o pregão tem duração de apenas quatro horas. Além disso, às 11h, as negociações são interrompidas para que os operadores possam almoçar. Como tudo no mercado, há um incentivo econômico por trás dessa parada, que é aumentar o volume de negociação. A prática é adotada por algumas bolsas ao redor do mundo, como as de Singapura e Turquia. Na Jordânia, os operadores não precisam nem voltar do almoço, visto que o horário de pregão da Bolsa de Amã é das 10h às 12h.

3. O esporte no mercado de ações

Alguns dos principais times de futebol da Europa são listados em bolsa e, dependendo do jogador que contratem, suas ações sobem. Um exemplo disso foi a aquisição do ponta Cristiano Ronaldo pela Juventus, que fez com que o clube italiano se valorizasse 200 milhões de euros na Bolsa de Milão em poucas semanas.

Já na Índia, onde o futebol tem pouca relevância, os movimentos da bolsa passam pelo desempenho de sua seleção nacional de críquete, o esporte mais popular do país. Um estudo feito pela Universidade Monash, da Austrália, mostrou que a bolsa local cai quando o time de críquete da Índia perde. Em entrevista a The Economic Times, um dos coordenadores do estudo disse que quando a equipe ganha, a bolsa reage sem grandes oscilações, mas quando é derrotada, o principal índice indiano tem queda de 0,231% em média.

4. Geração pré-home broker

As bolsas do mundo inteiro passaram por revoluções tecnológicas nas últimas décadas, que, entre outras coisas, deram fim à gritaria dos pregões presenciais. Antes de o home broker existir, o investidor precisava gastar tempo e sola do sapato para comprar uma ação.

Na década de 1980, as ordens de compra e venda precisavam ser autenticadas mecanicamente e só então o corretor dirigia-se para o pregão para executá-las. Mas o trabalho não acabava aí. O investidor ainda precisava ir até o local para entregar ao operador da corretora o valor total da transação, pegar o recibo e esperar mais dois dias para que o título comprado lhe fosse entregue.

5. Bolsa pirata somaliana

Com PIB inferior ao da cidade de Barueri, na grande São Paulo, a Somália é um país inexpressivo para o mercado de capitais. No entanto, a aquecida atividade de roubos de carga fez com que piratas criassem sua própria bolsa de valores para arrumar financiamento para as missões em alto mar. Se ocorrer tudo como planejado, os investidores recebem os “dividendos” da operação, ou seja, parte da carga roubada. Se der errado, ficam a ver navios.

De acordo com o jornal americano Wall Street Journal, a bolsa pirata começou a operar em 2009 e fica localizada em Harardheere a quase 500 quilômetros de Mogadíscio, capital da Somália.

6. A queda de Isaac Newton

Assim como a maçã que caiu em sua cabeça, Isaac Newton também viu seus investimentos desabarem. Nascido em 1643, o físico se envolveu em uma das primeiras grandes bolhas da história do mercado financeiro.

Segundo conta o economista inglês Benjamin Graham em seu livro “O Investidor Inteligente”, o lendário físico teria investido 3.500 libras (cerca de 781 mil libras em valores atuais) em ações da South Sea Company. Havia muita expectativa sobre os futuros retornos da companhia, já que ela possuía o direito exclusivo de comercializar com a América do Sul, que naquela época era conhecida pela grande extração de ouro nas colônias espanholas.

A grande expectativa fez as ações subirem e Newton conseguiu dobrar o valor investido. O físico, então, liquidou sua posição e angariou os lucros. Mas, vendo que o preço dos papeis não paravam de subir, ele resolveu retomar o investimento, agora com 20 mil libras (4,06 milhões de libras). Foi a aí que a bolha estourou. Enfrentando dificuldade para negociar com o Novo Continente e sem apresentar resultados que justificassem seu valor de mercado, as ações da South Sea Company caíram de forma abrupta e Newton viu seus investimentos irem por água abaixo.

7. Touro X Urso: A Origem

O touro e o urso são símbolos difundidos no mercado financeiro e representam movimentos de alta ou de baixa com base na forma em que dão o bote em suas presas. O fato curioso está em como observavam esses animais atacarem. Na Califórnia do século XIX, as famílias se reuniam para assistirem a duelos sangrentos entre ursos e touros. Em pinturas da época é comum encontrar imagens do evento com o urso amarrado, esperando pela investida do touro. A prática levou a extinção do urso californiano em 1924, apenas cinco antes da maior crise financeira da história – que deixaram o mercado mais bearish do que nunca. Hoje, o animal só pode ser encontrado em museus ou em bandeiras do Estado da Califórnia.

Fonte:Exame