Internacional

Três votações definem qual Brexit o Reino Unido terá

Sucessão de votações no Parlamento começa na terça-feira, quando Theresa May deve ser mais uma vez derrotada na tentativa de levar adiante uma saída amena

Faltam pouco mais de 15 dias úteis até o Reino Unido ser obrigado a sair da União Europeia. A data final para deixar o bloco é 29 de março, segundo a lei europeia, e três votações importantes vão ocorrer nos próximos dias.

A primeira é na terça-feira, 12, quando o Parlamento britânico tem outra chance de votar por uma saída mais “amena”, obtida junto aos líderes europeus pela premiê Theresa May. Mas o pacto já foi rejeitado em janeiro em uma derrota histórica e agora, com uma versão que pouco difere da anterior, deve ser barrado novamente.

A ideia do acordo costurado por May é que o Reino Unido saia da UE, mas mantenha algumas das vantagens comerciais. Os parlamentares britânicos, contudo, acham ou que o acordo é ameno demais, no caso dos Conservadores, ou duro demais, no caso dos Trabalhistas.

Se rejeitado o pacto, outras duas votações se seguem. Na quarta-feira, 13, os parlamentares votariam na opção de sair sem acordo algum — o que é apoiado por alas mais conservadoras dentro do partido de May. Já na quinta-feira, 14, o Parlamento decide por pedir aos outros 27 países da UE uma prorrogação do prazo final para saída, mas que não deve ir além de meados de junho.

O Tesouro britânico calcula que, com uma saída com acordo, a economia encolheria 3,9% em 15 anos; num desembarque sem acordo, cairia 9,3%. O Banco Central britânico também estima que, sem acordo, a libra poderia desvalorizar tanto que ficaria abaixo do dólar. Empresas temem o que pode ocorrer: o Bank of America decidiu transferir sua sede europeia para Dublin, na Irlanda, e a companhia aérea britânica EasyJet passou o negócio para o nome de europeus não-britânicos.

Em pronunciamento, May afirmou que, se o acordo for rejeitado novamente, “ninguém sabe o que vai acontecer”. “Talvez não deixemos a UE por muitos meses. Talvez saiamos sem as proteções que um acordo oferece, e talvez não saiamos de jeito nenhum”, disse.

Já a opção de fazer um segundo referendo vem agora sendo defendido pelo Partido Trabalhista, oposição ao Partido Conservador de May. Mas fazer outra votação popular abre um precedente perigoso, rejeitando a decisão que já fora tomada pela população em 2016.

A União Europeia, por sua vez, não está necessariamente empregando grandes esforços para que o Reino Unido saia em bons termos, e não deve fazer mais concessões para melhorar o acordo já oferecido a May. Com acordo ou sem acordo, o Reino Unido está em uma grande encruzilhada — e o tempo está correndo.

Fonte: Exame