Mato Grosso do Sul

Um retrato do Brasil: MS tem candidatos marcados por denúncias

Principais candidatos ao governo do MS parecem estar mais preocupados com o segundo turno do que com acusações

A cinco dias das eleições, os principais candidatos ao governo de Mato Grosso do Sul parecem não estar preocupados com as investigações e acusações sobre seus mandatos, mas sim com o segundo turno.

No mês passado, a operação Vostok colocou em perigo a campanha do governador do estado Reinaldo Azambuja (PSDB), que concorre à reeleição.  A operação investiga o atual governador e candidato à reeleição por práticas de um esquema de pagamento de propina a representantes da cúpula dos poderes Executivo e Legislativo estaduais, além do Tribunal de Contas do Estado, e dizem respeito a uma série de de vantagens obtidas por “uma grande empresa do ramo frigorifico”.

A empresa recebia, segundo a Polícia Federal, descontos em créditos tributários em troca de repassar uma parte para servidores públicos. A fraude é estimada em mais de 200 milhões de reais. Em 2017, em acordo de colaboração com o Ministério Público Federal (MPF), executivos do grupo J&F, de Joesley e Wesley Batista, acusaram Azambuja e dois ex-governadores, Zeca do PT (PT) e André Puccinelli (MDB) de terem recebido 150 milhões de reais oriundos de um esquema semelhante. Ontem, um jornal local publicou que o Ministério Público Federal pediu o arquivamento de inquérito contra o atual governador.

Azambuja, produtor rural, tem como principais pautas de campanha a proteção dos direitos e benefícios do agronegócio no estado, o que parece agradar o eleitorado sul mato-grossense: no último Ibope (24), ele aparecia com 40% das intenções de votos, seguido por Juiz Odilon (PDT), com 29%, e Junior Mochi (MDB), com 4%. O cenário, portanto, parece ser certo: no segundo turno, o tucano (e representante da coligação (PSDB/PSD/PMN/DEM/Patri/PMB/PP/Pros/PSB/PTB/SD/PPS/Avante) disputaria os votos com Odilon.

O juiz é conhecido por ser o candidato que prioriza as pautas da segurança pública. Ele, porém, já foi acusado de ter vendido decisões a traficantes que atuavam na fronteira entre o estado e o Paraguai. A denúncia foi feita por seu ex-assessor, e divulgado pelo jornal Midiamax. O candidato pelo PDT chegou a pedir a censura da denúncia, que foi negada pela justiça federal do estado. Para o juiz, a denúncia é ato de vingança pessoal, e não é verdadeira.

O candidato que disputa o terceiro lugar nas intenções de voto também é marcado por investigações. Não ele propriamente, mas seu antecessor, que está preso desde o ano passado. André Pucinelli (MDB) e seu filho, André Puccinelli Júnior, foram presos sob acusação de lavagem de dinheiro e cobrança de propina a empresários, além de desviar 235 milhões de reais, no âmbito da operação Lama Asfáltica. O partido chegou a lançar a senadora Simone Tebet como pré-candidata, que desistiu do cargo. A solução do foi lançar a candidatura do deputado estadual Júnior Mochi.

Fonte: Exame