Internacional

Após queda do petróleo, sauditas preparam inédita emissão de bônus

País tentará levantar recursos para equilibrar seu orçamento, bastante dependente das vendas da commodity; em 2015, Arábia Saudita teve déficit de 100 bilhões de dólares

A Arábia Saudita contratou os bancos JPMorgan, HSBC e Citigroup para ajudar a vender títulos no mercado internacional, no que seria sua estreia com emissão de bônus, segundo uma fonte familiarizada com o assunto. O país quer fortalecer suas finanças, prejudicadas pelos baixos preços do petróleo.

O governo saudita já garantiu um empréstimo de 10 bilhões de dólares de um consórcio de credores internacionais em abril e vendeu dívida para seus bancos domésticos. A Arábia Saudita e seus vizinhos do Golfo Pérsico - cuja fonte de receita principal decorre da venda de petróleo e gás - estão cada vez mais emitindo dívidas nos mercados internacionais por causa da pressão sobre as finanças públicas nesse período de preços baixos do petróleo.

O Qatar vendeu 9 bilhões de dólares em bônus no mês passado, enquanto Omã recentemente levantou 2,5 bilhões de dólares e o emirado de Abu Dabi captou 5 bilhões de dólares com emissão de títulos. No início de junho, o ministro das Finanças da saudita afirmou que o país estava se preparando para explorar os mercados internacionais pela primeira vez.

Os gestores de fundos e banqueiros especulam que a operação da Arábia Saudita pode exceder o valor de 9 bilhões de dólares conseguido pelo Qatar, mas o ministro saudita disse que ainda não havia nenhuma decisão sobre o montante final que o país deseja levantar. "A partir de agora, o tamanho é indeterminado.. Vai depender do apetite do mercado", disse a pessoa familiarizada com o assunto. O país também não decidiu sobre o momento exato da venda de títulos, ainda de acordo com a fonte.

A Arábia Saudita, um dos principais exportadores de petróleo do mundo, registrou um déficit orçamentário de quase 100 bilhões de dólares no ano passado como resultado do declínio dos preços do petróleo. O país tem desde então executado um amplo pacote de reformas econômicas, que inclui a venda de ativos estatais e aumento de impostos, destinado a reduzir a sua dependência do petróleo. Até agora, os sauditas têm conseguido diminuir o rombo com a venda de seus ativos no exterior, que geraram cerca de 165 bilhões de dólares desde agosto de 2014, e com a venda de títulos domésticos.

Sem essas medidas e no ritmo atual de gastos, o Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que a Arábia Saudita poderia ficar sem fundos no prazo de cinco anos. Empresas de classificação de risco também rebaixaram as notas de classificação do país nos últimos meses.

Fonte: Veja Abril